Letras é um belíssimo curso. É profissão dos sonhos para quem gosta de lidar com o estudo de línguas como eu. E, infelizmente, um curso vitimado por um certo preconceito. Sempre que digo que pretendo fazer Letras alguém se apressa a perguntar “Você vai ser professor?”. Daí me questiono, afinal, até que ponto essas pessoas entendem sobre o curso de Letras. Talvez se elas procurassem se informar mais a respeito, saberiam que a formação de letras não se resume a tornar-se professor de português, como normalmente pensam. Além do ato de lecionar, formandos em Letras podem trabalhar em jornais na parte de edição, correção de textos e tradução de notícias de fontes estrangeiras. Podem também trabalhar com a tradução de artigos e obras literárias estrangeiras. Tendo o devido conhecimento de alguma língua estrangeira, podem ser intérpretes. E claro, podem vir a se tornar pesquisadores, ainda que isso seja uma tarefa mais árdua no nosso país.
Mas o que realmente me deixa um tanto indignado é que as pessoas subestimam a tarefa de lecionar. Quando vêm me perguntar se vou me tornar um professor, o fazem com um certo tom de desprezo, como se a profissão fosse algo de pouca importância. Mas não é. Professor é uma profissão que que deveria ser mais valorizada, tendo em vista que , em toda história da humanidade, eles foram peça fundamental no nosso progresso. Familiares normalmente enchem a boca para falar sobre profissões que, segundo o imaginário popular, são as que estão ‘na moda’ e dão mais dinheiro e status: engenheiro, médico, arquiteto, advogado, entre outras. Mas o que seriam deste profissionais se não existisse professores para ensiná-los a exercer seu ofício? O que seria da arte e da ciência do mundo moderno se os professores não existissem para levar o conhecimento adiante?
Tal desvalorização dos professores é reflexo da forma como as autoridades e até mesmo o povo tratam a educação brasileira. O governo pouco cuida das escolas responsáveis por nossa formação. Os pais, por sua vez, se mostram um tanto desleixados, tendo pouca participação na vida escolar de seus filhos, que conseqüentemente se tornam alunos desestimulados. Forma-se aí um ambiente onde a educação, fundamental, passa a se tornar algo secundário, sem a devida importância.
Como exemplo, o caso das Letras, em particular. Na educação básica, não tratam nossa língua e literatura com a devida atenção. Crescidos, os alunos que não aprenderam a se relacionar com a própria língua tratam o estudo da linguagem como algo desnecessário, algo que não faz diferença.
Até quando nosso sistema educacional sofrerá com tanto descaso?
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Como alguns talvez vão notar, esse é um texto que eu chupinhei descaradamente de… mim mesmo. Antes de apagar TODAS as fotos do meu Fotolog (exceto a última, que deixei lá justamente pra comunicar o fim do mesmo), salvei esse texto que tinha escrito num post do início do ano para poder publicar aqui.
Na verdade, eu queria mesmo era escrever algo novo aqui, sobre algumas das coisas que tem estado na minha cabeça nos últimos tempos – namoro, admiração pelo povo polonês, topofilia, entre outras coisas. Mas cadê a inspiração quando precisamos?
E já que o assunto tem a ver com educação, rola aí mais um pouco de etimologia: li em A Língua de Eulália, de Marcos Bagno, que educação vem do latim “ex (fora de) + duco (conduzir)“, algo como ‘tirar‘, ‘pôr para fora‘, sendo nesse caso algo como ‘obter do aluno o melhor resultado possível’.