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Algo sobre países interessantes: Lituânia.

04/10/2009

Há tempo que queria escrever sobre algum país desses que quase ninguém lembra, mas são interessantes pra mim, mesmo que eu não conheço muito. Mas qual? LIETUVA!

Lietuvos Republika. Ou República Lituana.

Lietuvos Republika. Ou República Lituana.

Mas por que Lituânia? Na hora de escolher eu me lembrei do Rodrigo. Quem? Vou apresentar: Rodrigo, lá de SP (capital!), é um grande companheiro de N conversas sobre N línguas estrangeiras. No meio dessas conversas fatalmente falamos sobre Lituânia, pois ele tem sangue lituano na veia, afinal! É neto da senhora Emilia Makonis, nativa da capital, Vilna (Vilnius, em lituano). Labas, Rodrigo!

Quem conhece sabe: a Lituânia é um país báltico, porque… é do lado do mar Báltico, duh! Mas também faz fronteira com a Rússia – que já mandou no território lituano na época da Guerra Fria – com a Polônia ao sul, com a Letônia ao norte e com o território russo de Kaliningrado ao leste. Tem população de cerca de 3,5 milhões de pessoas, sendo uma delas obviamente a atual presidente, Dalia Grybauskaitė, primeira presidente mulher da Lituânia. A capital é a supracitada Vilna, também maior cidade desse país onde também podemos visitar Klaipėda (em alemão chamada de Memel), Kaunas, Ukmergė e mais um monte. É país de presença ativa na UE, e provavelmente por isso a capital também foi escolhida como Capital Cultural Européia do ano 2009, junto com a austríaca Linz.

Vilna!

Vilna!

Lietuvių kalba.
A língua lituana.

É lógico, óbvio, evidente que eu falaria sobre a LÍNGUA, que é uma das oficiais da União Européia. Afinal, meu primeiro contato com a Lituânia mesmo foi através da minha curiosidade por línguas, que me levou a achar algumas palavras em lituano. Pra ter uma idéia, lituano e letão são consideradas duas das línguas mais conservadas, mantendo muita coisa das raízes proto-indo-européias. Como disse Antoine Meillet:

Qualquer um que deseje ouvir como os indo-europeus falavam deveria vir e ouvir um camponês lituano.

Há uma semelhança com o polonês: os 7 casos de declinação são os mesmos, o que se deve explicar pela origem em comum, já que ambas vem do ramo balto-eslávico. Há dois dialetos do lituano: o de Aukstaitia e o da Samogícia. É uma língua deveras interessante!

Lietuviai į Braziliją.
Lituanos no Brasil.

Vez ou outra a mídia mostra uma porrada de reportagens sobre imigrantes italianos, alemães e japoneses no Brasil. E lituanos?
Diz-se que o primeiro lituano que veio pro Brasil foi o coronel Andrius Visteliauskas, que veio ajudar a galera do Brasil na guerra do Paraguai. Depois, em 1890, um grupo de lituanos veio pro Brasil e se estabeleceu em Ijuí, bem lá no sul do Brasil. Depois, por volta de 1926, vieram mais cerca de 40 mil lituanos, muitos pra trabalhar em fazendas. Fundaram a cidade de Castro no Paraná. Em São Paulo, fizeram colônias em Ribeirão Preto, Araraquara, Colina e Barão de Antonina, e fundaram o bairro de Vila Zelina na capital – é o bairro da vó do Rodrigo!

Lietuva ir Lenkija.
Lituânia e Polônia.

Sabiam que Vilna (Wilno em polonês) a capital, já foi parte do território polonês? Isso porque Lituânia e Polônia já formaram uma vez um nação só. Em 1569 a União de Lublin juntou o Reino da Polônia e o Grão-Ducado da Lituânia em uma única nação, a chamada República das Duas Nações, que incluía também o território da atual Bielorrússia e da Letônia.
A União durou até 1795, quando foi apagada do mapa europeu. E em 1918 os dois países retomaram sua independência como duas nações separadas.

O Semeador de Estrelas, em Kaunas.

Há em Kaunas uma estátua interessante chamada de Semeador de Estrelas. De dia não faz muito sentido.

De dia, nada de mais.

De dia, nada de mais.

Mas o encanto da estátua se faz de noite!

De noite, semeando estrelas!

De noite, semeando estrelas!

Dudes, isso é só um resuminho do que é a Lituânia. Se interessem, pesquisem, conheçam essa terra!
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Os links das fontes estão praticamente todos no texto. Avisem se faltar algum.

Klaipėda
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Mas… você vai ser professor?

13/11/2008

Letras é um belíssimo curso. É profissão dos sonhos para quem gosta de lidar com o estudo de línguas como eu. E, infelizmente, um curso vitimado por um certo preconceito. Sempre que digo que pretendo fazer Letras alguém se apressa a perguntar “Você vai ser professor?”. Daí me questiono, afinal, até que ponto essas pessoas entendem sobre o curso de Letras. Talvez se elas procurassem se informar mais a respeito, saberiam que a formação de letras não se resume a tornar-se professor de português, como normalmente pensam. Além do ato de lecionar, formandos em Letras podem trabalhar em jornais na parte de edição, correção de textos e tradução de notícias de fontes estrangeiras. Podem também trabalhar com a tradução de artigos e obras literárias estrangeiras. Tendo o devido conhecimento de alguma língua estrangeira, podem ser intérpretes. E claro, podem vir a se tornar pesquisadores, ainda que isso seja uma tarefa mais árdua no nosso país.

Mas o que realmente me deixa um tanto indignado é que as pessoas subestimam a tarefa de lecionar. Quando vêm me perguntar se vou me tornar um professor, o fazem com um certo tom de desprezo, como se a profissão fosse algo de pouca importância. Mas não é. Professor é uma profissão que que deveria ser mais valorizada, tendo em vista que , em toda história da humanidade, eles foram peça fundamental no nosso progresso. Familiares normalmente enchem a boca para falar sobre profissões que, segundo o imaginário popular, são as que estão ‘na moda’ e dão mais dinheiro e status: engenheiro, médico, arquiteto, advogado, entre outras. Mas o que seriam deste profissionais se não existisse professores para ensiná-los a exercer seu ofício? O que seria da arte e da ciência do mundo moderno se os professores não existissem para levar o conhecimento adiante?

Tal desvalorização dos professores é reflexo da forma como as autoridades e até mesmo o povo tratam a educação brasileira. O governo pouco cuida das escolas responsáveis por nossa formação. Os pais, por sua vez, se mostram um tanto desleixados, tendo pouca participação na vida escolar de seus filhos, que conseqüentemente se tornam alunos desestimulados. Forma-se aí um ambiente onde a educação, fundamental, passa a se tornar algo secundário, sem a devida importância.

Como exemplo, o caso das Letras, em particular. Na educação básica, não tratam nossa língua e literatura com a devida atenção. Crescidos, os alunos que não aprenderam a se relacionar com a própria língua tratam o estudo da linguagem como algo desnecessário, algo que não faz diferença.

Até quando nosso sistema educacional sofrerá com tanto descaso?

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Como alguns talvez vão notar, esse é um texto que eu chupinhei descaradamente de… mim mesmo. Antes de apagar TODAS as fotos do meu Fotolog (exceto a última, que deixei lá justamente pra comunicar o fim do mesmo), salvei esse texto que tinha escrito num post do início do ano para poder publicar aqui.

Na verdade, eu queria mesmo era escrever algo novo aqui, sobre algumas das coisas que tem estado na minha cabeça nos últimos tempos – namoro, admiração pelo povo polonês, topofilia, entre outras coisas. Mas cadê a inspiração quando precisamos?

E já que o assunto tem a ver com educação, rola aí mais um pouco de etimologia: li em A Língua de Eulália, de Marcos Bagno, que educação vem do latim “ex (fora de) + duco (conduzir)“, algo como ‘tirar‘, ‘pôr para fora‘, sendo nesse caso algo como ‘obter do aluno o melhor resultado possível’.