Arquivo de Novembro, 2008

h1

Topofilia.

25/11/2008

Topofilia é um termo relativo a Geografia, cunhado pelo geógrafo sino-americano Yi-Fu Tuan. Não adianta me perguntar o que é, por que não sei explicar, mas aqui eu quero interpretar essa palavra do modo mais simples possível: do grego topo (lugar) + philos (amor; afeição; ou algo relacionado). Objetivamente falando, a topofilia seria uma grande afeição de uma pessoa por um certo lugar.

Em parte, esse deve ser o meu problema. Eu vim pra cá, Vitória, procurando, entre outras coisas, um ambiente diferente, novas pessoas, contato com uma cultura alheia, e coisas assim. Mas eu sou um loser, afinal, porque sinto que sou tão apegado aos anos que vivi em Minas Gerais que isso me impede de me desenvolver aqui. Não tenho motivação, porque tudo aqui me parece desinteressante. Os amigos que posso fazer aqui me parecem menos interessantes que aqueles que já fiz em Minas. Os lugares e “rocks” que posso conhecer aqui me parecem menos interessantes que aqueles que já me acostumei a ir no Vale do Aço. Em suma, a vida aqui me parece um porre em comparação com aquela que teria na terra dos pãezinhos de queijo.

Culpa do lugar? Em parte, talvez, porque esperava que Vitória fosse ao menos tão legal quanto BH e não fosse uma cidade com corpo de capital e cabeça de vila do interior. Mas é óbvio que o problema sou eu mesmo, não é? Pessoas “descoladas” normalmente se adaptam perfeitamente bem quando mudam de cidade, ou de estado (meu caso), ou até de país. Mas eu não sou o que se pode chamar de “descolado”, muito pelo contrário.

Eu sei que mesmo querendo voltar pra MG eu ainda posso encontrar o meu lugar aqui na metrópole capixaba, mas vale lembrar que não há descoberta se eu não começar a tirar essa bunda gorda daqui de casa e levá-la pra conhecer o que há de cool aqui nesse lugar. Mas é justamente isso que me falta: ATITUDE. E não tenho atitude porque não tenho motivação.

I’m a loser.

h1

Mas… você vai ser professor?

13/11/2008

Letras é um belíssimo curso. É profissão dos sonhos para quem gosta de lidar com o estudo de línguas como eu. E, infelizmente, um curso vitimado por um certo preconceito. Sempre que digo que pretendo fazer Letras alguém se apressa a perguntar “Você vai ser professor?”. Daí me questiono, afinal, até que ponto essas pessoas entendem sobre o curso de Letras. Talvez se elas procurassem se informar mais a respeito, saberiam que a formação de letras não se resume a tornar-se professor de português, como normalmente pensam. Além do ato de lecionar, formandos em Letras podem trabalhar em jornais na parte de edição, correção de textos e tradução de notícias de fontes estrangeiras. Podem também trabalhar com a tradução de artigos e obras literárias estrangeiras. Tendo o devido conhecimento de alguma língua estrangeira, podem ser intérpretes. E claro, podem vir a se tornar pesquisadores, ainda que isso seja uma tarefa mais árdua no nosso país.

Mas o que realmente me deixa um tanto indignado é que as pessoas subestimam a tarefa de lecionar. Quando vêm me perguntar se vou me tornar um professor, o fazem com um certo tom de desprezo, como se a profissão fosse algo de pouca importância. Mas não é. Professor é uma profissão que que deveria ser mais valorizada, tendo em vista que , em toda história da humanidade, eles foram peça fundamental no nosso progresso. Familiares normalmente enchem a boca para falar sobre profissões que, segundo o imaginário popular, são as que estão ‘na moda’ e dão mais dinheiro e status: engenheiro, médico, arquiteto, advogado, entre outras. Mas o que seriam deste profissionais se não existisse professores para ensiná-los a exercer seu ofício? O que seria da arte e da ciência do mundo moderno se os professores não existissem para levar o conhecimento adiante?

Tal desvalorização dos professores é reflexo da forma como as autoridades e até mesmo o povo tratam a educação brasileira. O governo pouco cuida das escolas responsáveis por nossa formação. Os pais, por sua vez, se mostram um tanto desleixados, tendo pouca participação na vida escolar de seus filhos, que conseqüentemente se tornam alunos desestimulados. Forma-se aí um ambiente onde a educação, fundamental, passa a se tornar algo secundário, sem a devida importância.

Como exemplo, o caso das Letras, em particular. Na educação básica, não tratam nossa língua e literatura com a devida atenção. Crescidos, os alunos que não aprenderam a se relacionar com a própria língua tratam o estudo da linguagem como algo desnecessário, algo que não faz diferença.

Até quando nosso sistema educacional sofrerá com tanto descaso?

—————————————————-

Como alguns talvez vão notar, esse é um texto que eu chupinhei descaradamente de… mim mesmo. Antes de apagar TODAS as fotos do meu Fotolog (exceto a última, que deixei lá justamente pra comunicar o fim do mesmo), salvei esse texto que tinha escrito num post do início do ano para poder publicar aqui.

Na verdade, eu queria mesmo era escrever algo novo aqui, sobre algumas das coisas que tem estado na minha cabeça nos últimos tempos – namoro, admiração pelo povo polonês, topofilia, entre outras coisas. Mas cadê a inspiração quando precisamos?

E já que o assunto tem a ver com educação, rola aí mais um pouco de etimologia: li em A Língua de Eulália, de Marcos Bagno, que educação vem do latim “ex (fora de) + duco (conduzir)“, algo como ‘tirar‘, ‘pôr para fora‘, sendo nesse caso algo como ‘obter do aluno o melhor resultado possível’.