I. Litterae meae.
Há alguma chance de um dia eu enjoar ou desistir da minha escolha? Praticamente nula.
Alguns escolhem Letras meramente por necessidades práticas do tipo “para prestar concurso público” ou “para ter um diploma“. Certamente o curso me trará um diploma, e é bem provável que um dia eu acabe concorrendo algum emprego público, mas escolhi as Letras pelo meu afeto genuíno pelas Ciências da Linguagem e línguas estrangeiras. Desde 14 de março deste ano a Fale tem sido um segundo ou terceiro lar para mim, onde eu tenho minhas 5 disciplinas – Teoria da Literatura, Alemão, Introdução à Linguística, Gramática Tradicional e Oficina de Leitura e Produção de Textos. A despeito dos que lá estão sem saber exatamente por que estão lá, encontrei muitos que compartilham comigo essa paixão pelas questões de fala e escrita, e com alguns fiz amizade, sempre encontrando-os nos corredores e, ocasionalmente, nas calouradas, indispensáveis naqueles finais de semana em que uma dose de festa é necessária depois de uma semana lendo todo tipo de texto que vá de Platão a Chomsky.
Seguem-se os dias e com mais conhecimento desse lugar que me acolheu encontro engajamento daqueles que, como estudantes, futuros profissionais, e cidadãos, realmente estão ali brigando para serem ouvidos e alcançarem o melhor em qualidade de ensino e estrutura para todos que ali estudam e lecionam. Vê-se isso nas iniciativas dos DAs e do DCE, e dos que os ajudam, timidamente ou ativamente. Nossa biblioteca tem um fantástico acervo, com livros de mais de 2 ou 3 séculos inclusive, e ainda temos o Cenex com suas várias opções de aprendizado de idiomas estrangeiros. De tempos em tempos surgem palestras, colóquios, seminários e debates para enriquecer não apenas nossos créditos, mas principalmente o nosso conhecimento e visão de mundo. Afinal, não se entra numa faculdade apenas para aprender uma profissão. Faculdades podem ensinar a viver.
Essa faculdade, a Fale, é para mim um segundo ou terceiro lar.
II. Amatrix mea.
Que tipo de expectativa eu poderia ter com a faculdade e com a vida em BH? Eu esperava muita coisa, mas não imaginava que tão rapidamente encontraria alguém para chamar de meu bem. Há uma moça com a qual eu e Lucas conversamos um dos primeiros dias de aula. Em outro dia, na aula de Gramática Tradicional, fui cumprimentá-la. Descobri que ela mal lembrava do meu rosto e tinha esquecido meu nome.
Enfim, vez ou outra encontrava-a na saída, já que nós dois pegamos nossos ônibus na Antônio Carlos. Ocorreu que numa quinta-feira, acompanhando-a, fui me despedir, e então resolvi ter a cara de pau de tentar um beijo na boca. Ela quis. Fui pra casa sorrindo, mas dormi meio cismado, pensando se aconteceria de novo.
No dia seguinte, achei a moça com certo atraso na calourada. E aconteceu de novo. E de um jeito tão bom que enfim pensei “Ach, mein Gott! Ich will sie!”. Quis tanto que uma semana depois, em outra calourada – haja bixos (alô, Vigoca!) pra tantas calouradas, aliás – ela se tornou minha namorada, e desde então compartilhamos aulas, gostos, intervalos, idéias, amigos, uma palestra sobre Latim da série Letras Debate e uma ida a um Anime Festival.
A propósito, o nome dela é Izabella Rosa Malta, futura tradutora e futura Bacharel em Inglês. A moça que mal lembrava do meu rosto e esqueceu meu nome, mas acabou virando minha namorada.
III. COMO ASSIM?
Não, minha “república” não tem nome, mas se tivesse, COMO ASSIM? seria uma boa idéia. Culpe o Henrique por isso.
Moramos aqui nós três, um de Letras, que sou eu, o André, que é de Psi, e o Henrique, que vai pra UFMG só no segundo semestre, em… ahem… errgh… Engenharia Elétrica, mas já estuda no Bernoulli pra tentar… ahem… ahrm… Engenharia Aeronáutica no ITA.
Preciso dizer, antes de tudo, que moramos muito bem, muito bem mesmo, no Centro. Perto do bandejão da UFMG, perto de farmácia, perto de supermercado, perto da Afonso Pena e de N outros lugares qua de alguma forma ou outra são úteis no nosso cotidiano. O Henrique, por exemplo, estuda numa escola que fica não muito longe, onde posso até tentar achar uma vaga de monitoria.
Dificilmente os horários batem, porque eu sou estudante do noturno, André do diurno – mas tendo aulas até de tarde – e Henrique passa praticamente todo dia na escola. Nos momentos que conseguimos juntar dois ou os três aqui em casa a conversa rola de boa. Nunca brigamos – e assim esperamos continuar – nunca tivemos problemas com pagamentos de contas, e nunca houve desordem e bagunça, apesar de que às vezes rola um descuido e acabamos esquecemos pequenas coisas, mas que podemos relevar.
Claro que há ainda uma série de coisas a resolver. Um dos banheiros tem um vazamento numa torneira, nosso fogãozinho tem um vazamento de gás e o interfone não funciona direito, por exemplo. Procrastinamos bastante, é verdade, mas um dia a solução há de aparecer. De qualquer forma, moramos bem demais. E aceitamos visitas, quem quer vir?